RETROMOBILE: O BARÓMETRO DO SECTOR

No final do passado dia 9 fecharam-se as portas de mais uma edição da Retromobile, o evento mais aguardado do início do ano. Aguardado não apenas pelo sumptuoso e colossal espectáculo que representa, mas pelas indicações que dá acerca do ano que se inicia. Assim, no final do salão há lugar a uma inevitável “contabilidade”. Foram 122.000 os visitantes do evento (menos 10.000 do que na edição anterior), 620 expositores e 1100 veículos corindo 75.000m².

Mas os números que mais interessam os analistas, são os das vendas em leilão, pois costumam servir para “tomar o pulso” ao mercado. As expectativas eram bastante negativas depois dos últimos leilões de 2019, mas os resultados não foram tão negativo como se espera. A Bonhams teve o seu melhor resultado de sempre em termos de vendas brutas, com 19.693.000€. Para isso contribuíram alguns modelos excepcionais integrados na sua oferta, como é o caso da estrela do leilão, o Bugatti Type 55 de 1932. Depois de participar nas 24H de Le Mans de 1932 – numa equipa de pilotos que incluiu Louis Chiron -, foi vendido ao editor Jacques Dupuy, que encomendou à Figoni uma nova carroçaria, mais adequada ao uso “civil”. O Bugatti foi vendido na Retromobile por 4.600.000€

O leilão Artcurial somou um total de 22.472.483€, algo magros face aos quase 37 milhões do anterior, mas é preciso ter em conta que o valor de 2019 foi atingido, em grande parte, graças aos quase 17 milhões pagos pelo Alfa Romeo 8C 2900B Touring Berlinetta, o que por si só explica a diferença. Em todo o caso, o leilão de 2020 teve dez automóveis vendidos acima do milhão de dólares, nove deles de competição.

Resultado menos animador teve a RM Sotheby’s com apenas 16,5 milhões, em alto contraste com os 34 milhões de 2019, que tinham sido conseguidos, em grande parte, graças a um excelente lote de clássicos modernos. O modelo mais valioso vendido pela Sotheby’s foi um BMW 507 de 1958, por 1.996.250€, encabeçando uma oferta que não trazia modelos especialmente espectaculares para o que é o “standard” deste tipo de leilão.

Assim, a conclusão retirada pela maioria dos analistas é a de que há um efectivo “arrefecimento” do mercado, mas sem o drama que se esperava. Pois além da oferta ser menos impressionante e com menos qualidade do que em anos anteriores, os melhores e mais especiais exemplares, continuaram a registar excelentes resultados. Com outros grandes leilões ao longo do ano, é cedo para retirar grandes conclusões, mas certo é que as expectativas mais negativas continuam a não se concretizar, apesar do receio de compradores e vendedores.