CRÓNICAS DE UM CLÁSSICO

O CPAA inaugurou uma nova rúbrica, “Crónicas de um Clássico”, dedicada a histórias engraçadas, comoventes, inesquecíveis, que os sócios CPAA tenham para contar relativamente aos seus automóveis.

O nosso sócio Filipe Barrias conta carinhosamente toda a história por trás do seu Ford Taunus.

Partilhe com o CPAA a sua história, através do email eventos@cpaa.pt.

Ford Taunus 17M Super (P3)

“A história que vou relatar, remonta ao meu nascimento…

Corria o ano de 1969, mais precisamente, dia 20 de Maio, quando minha saudosa mãe se encontrava no final de gravidez. Subitamente, começou a ter fortes dores, por volta das 10h30 da manhã. Prontamente, dirigiu-se com o meu pai ao médico, tendo a parteira de serviço tranquilizado ambos, afirmando que ainda não era hora para realização do parto. Tratava-se, segundo ela, apenas de contrações. Determinou o regresso a casa, recomendando descanso.

Certo é que por volta das 12h45, a minha mãe voltou a sentir dores muito fortes, agora com maior intensidade, quase insuportáveis. Telefonou ao meu pai, que se encontrava a trabalhar no Café Ofir, na zona do Covelo, Porto, suplicando para deixar tudo e vir a correr, buscando-a, de forma a, rapidamente, levá-la para a Maternidade. Meu pai assim fez…! Sem a homologação da sua carta de condução, obtida no Brasil, pegou no seu Ford Taunus 17 M P3 e veio a voar para casa, situada para os lados da Av. de Fernão Magalhães, perto da Areosa. Agarrou na minha mãe, a qual teve de abandonar os meus irmãos de 6 anos e 1,5 anos respetivamente, que ficaram sozinhos em casa. Como se não bastasse, ficou o meu irmão com a minha irmã, esta debruçada na varanda de casa, em risco de cair.

A coitada da minha mãe já não podia fazer nada, perante aquele cenário. Teve mesmo de avançar para a Maternidade.

Desesperada com tantas dores, ordenou ao meu pai para voar com o carro, não parando nos sinais semáforos. Em caso de sinal vermelho, o carro Taunus tinha de continuar o seu trajeto. Chegou mesmo a suplicar para desobedecer às Autoridades rodoviárias em caso de ordem de paragem, por condução perigosa. Meu pai assim fez… Pé a fundo pela Av. Fernão de Magalhães, rua Antero de Quental, até chegar à Maternidade da Ordem da Lapa. De recordar que estávamos no tempo do Estado Novo. Ser apanhado pelas Autoridades rodoviárias por condução perigosa, desrespeitando as regras de trânsito, sem carta de condução… o resultado não seria nada agradável!

Uma vez chegados à Maternidade e após subir pelo seu pé, em agonia, as escadas de pedra, lá foi encaminhada, com urgência para os trabalhos de parto. Finalmente nasci, de forma sofrida, com tom de pele arroxeado, com dificuldade respiratória. Segundo reza a História, o médico parabenizou a minha mãe, afirmando que, seguramente, por mais 10 minutos, o desfecho poderia ter sido fatal…

Durante toda a minha vida, no dia do meu aniversário, os meus pais relataram esta narrativa, a qual nunca fiquei indiferente… a valentia e coragem do meu pai e a máquina Taunus não falharam para este desfecho feliz…

Assim, fiquei com o fetiche do Ford Taunus 17 M no meu subconsciente.

Tanto assim foi, que fui buscar um Taunus 17 M a Zurich, Suíça, em 2017. Veio a rolar para o Porto em perfeitas condições, durante um dia e meio… Fantástica viagem!!

Graças ao pragmatismo dos meus pais e rapidez de ação, estou hoje aqui a narrar ao CPAA a história do meu conturbado nascimento.

E também graças ao fantástico Ford Taunus 17 M P3, que naquela hora crítica, deu o ” litro”, não avariou… Cumpriu muito bem a sua missão!!

Filipe Barrias, Sócio CPAA nr.º 1305”