O CIRCUITO DA BOAVISTA ATÉ AOS ANOS 50

A história do automobilismo nesta zona, inicia-se nos anos 20, época dos populares “Quilómetros Lançados”. Com traçados ao longo de duas longas retas, laterais à Avenida da Boavista, unidas entre si por duas curvas com um raio de 10 metros, o circuito com o nome formal de Circuito da Boavista, realizou-se em 1931, ano em que se assinalou uma grande presença do crescimento do desporto automóvel em Portugal, com um total de 8 circuitos organizados.

O Circuito da Boavista de 1931 teve como vencedor Fernando Palhinhas, ao volante de um Singer Junior Sport, vitoria apurada através de um sistema de “handicap”, (que não voltou a ser utilizado) um dos pilotos com maior “handicap”, o que fez com que tivesse apenas de percorrer 30 voltas em vez das 50 definidas. Diferente dos seguintes anos, 1932 (ano marcado pela primeira participação feminina – D. Palmira Coelho) e 1933, o vencedor teria de percorrer maior distância em 90 minutos, na categoria Sport e Corrida.

Palmira Coelho, primeira mulher a competir em Portugal, ao volante de um Opel

Em 1950, o traçado ganhou uma outra forma, reconfigurado e redimensionado agora com 7 775 metros, com novas ruas e estradas que incluía a Estrada da Circunvalação, a Avenida Dr. Antunes Guimarães e a Rua do Lidador. Organização a cargo do ACP – Automóvel Club de Portugal, conseguiu a certificação internacional, os horizontes desta corrida foram assim alargados internacionalmente, trazendo a este circuito os maiores talentos nacionais e internacionais ao I Circuito Internacional do Porto, que se realizou a 18 de Junho de 1950, vitória geral de Felice Bonetto, com a Alfa Romeo.

Felice Bonetto, I Circuito Internacional do Porto

Com esta grande estreia a nível internacional, na categoria Sport, não só contamos com o grande destaque de a Ferrari se ter estreado no nosso país, assim como um dos carros da marca italiana ter sido pilotado por uma mulher – Yvonne Simon – assim como o grande número de espectadores, que se juntaram para este grande espetáculo internacional.

Ferrari 166 Berlinetta Touring, nº2 de Yvonne Simon, venceu em 4º lugar da geral

O quadro do júri técnico foi composto por oito grandes figuras: Dr. Mário de Gusmão Madeira, Eng. Ribeiro Ferreira, José Augusto dos Santos, Tomás Pinto Basto, Eng. João de Korth, Jorge Novais, Alfredo Marinho e Xavier de Almeida.

Casimiro de Oliveira no seu Allard J2

Fernando Palhinha, FAP 1100, seguido de Manuel Nunes dos Santos, em BMW 328

Em 1951, o 2º Circuito Internacional do Porto ganha uma nova designação – Grande Prémio de Portugal – devido ao enorme êxito da primeira edição. De 30 pilotos em prova, 16 eram oriundos de outros países, a corrida foi vencida por Casimiro Oliveira, conduzindo um Ferrari  340, o número de expectadores continuava a aumentar drasticamente. Em 1952 passou a ser obrigatório o uso de capacete.

Foto Vantagem Comparativa

Tal era o sucesso e grandiosidade deste circuito, o que permitiu em 1958 que Portugal recebesse o seu primeiro Grande Prémio de Fórmula 1, que contou também com o Campeonato do Mundo de Condutores, vencido por Stirling Moss, ao volante de um Vanwall.