CRÓNICAS DE UM CLÁSSICO

O CPAA inaugurou uma nova rúbrica, “Crónicas de um Clássico”, dedicada a histórias engraçadas, comoventes, inesquecíveis, que os sócios CPAA tenham para contar relativamente aos seus automóveis.

O nosso sócio Manuel Telo da fonseca conta uma história passada em 1967 com o Singer de seu pai, Sr. Horário Telo da Fonseca.

Partilhe com o CPAA a sua história, através do email eventos@cpaa.pt.

Uma breve história que se relaciona com o evento que acabamos de realizar a 02 junho de 2024.

Corria o ano de 1967, 17 e 18 de junho havia de se realizar o I Rali a Vizela de D. Elviras, assim se chamavam os carros antigos. À época o clube organizador foi o CPAA, também na altura ainda, Clube Portuense de Automóveis Antigos, como curiosidade lembro que no mês de maio de 1967 mês que antecedeu o rali, por decisão de assembleia geral foi proposta a mudança do nome para o que é hoje CLUBE PORTUGUÊS DE AUTOMÒVEIS ANTIGOS e o autor, espera que nunca mude para qualquer coisa como clássicos, mesmo reconhecendo a sua existência.

Vamos ao que nos trouxe aqui: uma breve história que mexeu com a adrenalina do concorrente do carro nº 2 do rali e da sua equipa de apoio. O concorrente muito reconhecido neste meio, o nosso saudoso Horácio Telo da Fonseca, o automóvel D. Elvira era o Singer Porlock Sport um 8 HP com 848 c.c., e que tinha chegado às mãos do Sr. Horácio em 04 de setembro 1964. Este carro tem muita história que poderá vir a divertir muitos dos que atentos e desejosos devoram a Newsletter do CPAA, como curiosidade, do seu palmarés ressalta o I Circuito da Boavista com o arrojado e histórico mecânico piloto, o portuense Fernando Palhinhas.

Então Horácio sai para o rali com um road book que o vai levar até Vizela, pelo caminho vai mostrando a sua carta prova nos postos onde vai controlando, entretanto, já muito perto do controlo de chegada o carro dá sinais que a gasolina se evaporou durante a viagem, logo se puseram em acção a equipa de apoio que também ela desconhecia que o facto viesse acontecer. Acresce dizer que o carro não dispõe de nenhum dispositivo que informe o que resta no tanque, apenas uma pequena régua que de quando em vez se mete lá para dentro para saber mais ou menos o que resta, os quilómetros e o consumo foram então uma surpresa e com o controlo à vista o motor parou.

Adrenalina a jorros, gasolina a zero coincide a entrada no Parque das Caldas de Vizela, onde estava o controlo de chegada, com o balanço, ultrapassa o passeio inicia a descida e chega ao controlo na posição favorável de descida, é recebido o concorrente e pendura com parabéns pela excelente prova e comenta o cronometrista “este motor é tão silencioso”, quando todos os que chegavam com grande barulheira própria dos escapes usados na época. Aí, Horácio não se desmanchou deixou descair o Singer até ao seu lugar de estacionamento.

A história foi contada no jantar de distribuição de prémios num dos belos salões do Hotel Sul Americano, também chamado Hotel das Caldas, com um delicioso e majestoso jantar em ambiente de glamour que em nada se compara com o que nos presentearam neste evento de 2024.

Não devem as edilidades locais menosprezar o que levamos de bom às suas terras e suas gentes.

Manuel Telo da Fonseca, Sócio CPAA nr.º 5”

Fotos: Joel Araújo