1000 MIGLIA – LA CORSA PIÙ BELLA DEL MONDO

As 1000 Miglia são o derradeiro desafio para os entusiastas que partilham o amor pelos automóveis clássicos. Considerada, e com razão, a corrida mais bonita do mundo, este evento sempre esteve no topo da minha lista de viagens, sendo eu uma apaixonada por carros antigos. Em 2024, finalmente consegui realizar esse sonho.

Além do eterno romantismo e da fabulosa gastronomia, Itália oferece uma vasta gama de museus automobilísticos– os ingredientes perfeitos para me apaixonar ainda mais por este país mediterrânico. Em 2023, ao decidir que iria assistir às Mille Miglia, comecei a planear a viagem, incluindo visitas a museus nas redondezas e explorando um pouco do que a Itália tem para oferecer. O roteiro final ficou dividido em 6 dias.

Aqui vai o resumo desta viagem:

Dia 1 – Turim

Após aterrar no Aeroporto de Milão – Malpensa, apanhamos um “shuttle” até ao nosso carro de aluguer. O casal que partilhou a viagem connosco chegou ao destino final e meniconou a expressão “molto veloce!”. Com a primeira impressão da típica condução italiana, pegamos no nosso Fiat 500 “rosso” e partimos para Turim.

Museu Automóvel de Turim

O MAUTO – Museu Nacional do Automóvel é um dos 50 melhores museus do mundo e conta a história e o design dos automóveis. Com mais de 200 veículos de 80 marcas diferentes, o museu tem os carros mais antigos ligados ao seu fundador, Carlo Biscaretti di Ruffia.

Percorrer as suas salas é como assistir a uma aula de história e design, acompanhada por músicas dos anos 60 e o ronco dos motores de Fórmula 1, com vídeos e ecrãs interativos explicando tudo o que víamos.

Tivemos ainda a sorte de ver uma exposição temporária em homenagem a Ayrton Senna.

Um dos melhores museus que já vimos, sem dúvida.

FCA Heritage HUB

Localizado na antiga Oficina 81 em Turim, no complexo Mirafiori, o Heritage HUB abrange 15.000 m2 e contém cerca de 300 carros das marcas Fiat, Lancia e Abarth, além de uma seleção de carros Alfa Romeo, Autobianchi e Jeep.

Com 64 automóveis apresentados em oito exibições temáticas, uma emocionante “Engine Area” dedicada a motores clássicos também foi criada, e carros Fiat especialmente equipados para o Corpo de Carabinierieste espaço é uma verdadeira viagem pela história automóvel italiana.

Dia 2 – Lago di Como

Este foi o único dia do roteiro que não incluiu automóveis, exceto pelo “nosso” Fiat 500 e a multa de estacionamento que apanhamos. Não vimos o George Clooney nem compramos uma villa mas, como ele, também nos apaixonamos pelas belezas do Lago de Como. Com paisagens memoráveis e pequenas vilas e cidades que nos conquistam de imediato: Como, Brunate, Tremezzo, Menaggio, Varenna, Bellagio, Nesso. Agora voltem a ler com sotaque italiano…. fica ainda mais bonito, não é?

O Lago pede-nos tempo. Quando chegamos, os nossos olhos cresceram e não sabíamos se olhávamos primeiro para a paisagem, se tirávamos fotografias ou se apenas nos sentávamos a contemplar tudo aquilo.

 

Dia 3 – Bréscia

Chegou o dia mais esperado – a corrida mais bonita do mundo estava prestes a acontecer.

Museo Mille Miglia

Mas.. antes de nos perdermos entre mais de 400 carros, visitamos o Museo Mille Miglia, localizado num antigo mosteiro fundado pelo Bispo de Brescia em 1008. O museu mantém viva a história da lendária corrida Mille Miglia, bem como os costumes, a cultura e a história entre os anos 20 e 50.

Um caminho vermelho percorre todo o museu, simbolizando a seta vermelha da “Coppa Franco Mazzotti”, com partes de vidro transparente mostrando as condições das estradas entre 1927 e 1957. É realmente inacreditável como as estradas mudaram entre 1927 e 1957.

Após a visita ao museu, aproveitamos para visitar o pavilhão onde são feitas as verificações técnicas e ter o primeiro vislumbre dos automóveis únicos e incríveis que participam na corrida.

Chegamos ao centro de Bréscia.

Ao chegar à Piazza Vittoria fomos saudados por uma fila de obras de arte sobre rodas: um 300SL, um Fiat 8V Zagato e um Maserati A6 1500 Pininfarina saltaram-nos logo à vista. Enquanto isso passava por nós um Ferrari 250GT Coupe Boano e, nessa altura, os nossos batimentos cardíacos já estavam ao rubro. O festim no centro da cidade era único, um ambiente único vivido ao zumbido de motores antigos.

Continuamos perdidos pelo centro histórico de Bréscia, maravilhados com o cenário. À nossa frente aparecia uma fileira de gloriosos Alfas – um 6C 2500 Sport Cabriolet, um 1900 C Sprint Touring, um Giulietta Sprint Bertone ou um incrível 8C 2900 A de 1936 com uma patine deliciosa.

O resto do dia foi-se passando por ali, a absorvermos a atmosfera, enquanto desfrutávamos de um gin num ristorante próximo.

 

Dia 4 – Bréscia e Sirmione

O dia da partida das Mille Miglia.

De manhã, voltamos à Piazza Vittoria para ver os últimos preparativos e a colocação dos selos nas colunas de direção dos automóveis que em breve iriam arrancar para a mais bela corrida do mundo.

O primeiro carro saía da tradicional Viale Venezia, às 12h30, por isso não havia tempo para almoçar. Fomos diretos para o local de partida e deliciamo-nos a ver a partida de cerca de 450 dos veículos mais bonitos e raros de todo o mundo.

Vimos OM Superba, Lancia Lambda e uma enxurrada de Bugatti Type 35 e 37 a fazerem a sua grande entrada. Uma mistura inebriante de fumo de óleo e gasolina instalou-se enquanto os carros iam deixando a partida. Havia sorrisos por toda a parte.

Seja participante ou espectador, este evento promete uma experiência inesquecível. Combina velocidade, beleza e o melhor deleite: a cultura italiana. Como se alguma vez nos faltassem motivos para visitar repetidamente Itália, as 1000 Miglia são, sem dúvida, mais uma a considerar.

É hora de definir a navegação do nosso 500 para o pitoresco cenário junto ao Lago di Garda: Sirmione.

Sirmione é uma pequena jóia no Lago di Garda. A entrada na vila é feita a pé, através da ponte levadiça do Castelo Scaligero, um dos castelos mais bem conservados de Itália e circundado por água cristalina.

Do outro lado do castelo, optamos por pedir um gelato e seguirmos sem rumo, passeando pelas ruelas, apreciando a vista dos lados e admirando os pátios e varandas escondidas.

Dia 5 – Verona

Museo Nicolis

Iniciamos o dia no Museo Nicolis, um museu privado com uma coleção de 200 carros históricos e veículos únicos. Muitos lembrar-se-ão do filme “Uma Noite no Museu”, em que os protagonistas da história ganham vida ao cair da noite. Embora de formas diferentes, a retrospetiva automóvel do Museo Nicolis permite sonhar acordada graças à coleção do Sr. Luciano Nicolis de 200 carros antigos, 120 bicicletas, 105 motociclos, 500 máquinas fotográficas, 120 instrumentos musicais e 100 máquinas de escrever.

Com o seu carácter romântico-educativo, o museu oferece a singularidade como principal caraterística distintiva. Entre as numerosas representações de técnica e estilo, destaca-se o Lancia Astura 1000 Miglia construído especificamente para o famoso piloto de corridas dos anos 30, Luigi Villoresi.

Depois de comermos (mais) uma pizza divinal, aproveitamos a tarde para conhecer a “la piccola Roma”. Mesmo que William Shakespeare não tivesse ambientado o seu “Romeu e Julieta” em Verona, a cidade continuaria a ser uma das mais românticas de Itália.

Verona conserva monumentos de épocas muito distintas, desde a sua origem romana ao seu esplendor renascentista. Por onde quer que se ande, percorrem‑se as ruas empedradas e as praças com edifícios de três e quatro andares, de varandas floridas nas fachadas, pintados em tons pastel comido pelo sol.

No final do dia jantamos na Hosteria Il Punto Rosa, dica do nosso amigo Rui. E ainda bem que fomos lá. Veio a melhor pasta que já provei. Enquanto segurava o pneu quente e feliz da minha barriga cheia, pensei em como os italianos vivem a vida— e como eles apreciam a sua comida.

Dia 6 (e último) – Milão

Museo Storico Alfa Romeo

O Museo Alfa Romeo mostra a rica história da icónica marca automóvel italiana. Apresenta uma extensa coleção de veículos Alfa Romeo, ilustrando a evolução da marca e o seu impacto no design e engenharia automóvel.

Na entrada do museu estava uma exposição temporária da celebração dos 70 anos do Giulietta, com várias versões do modelo, incluindo o Sprint Veloce Alleggerita.

O museu está subdividido em três áreas diferentes – Timeline, Bellezza e Velocita.

A área Timeline apresenta toda a história da marca, começando pelos primeiros modelos do fabricante.

Na secção Bellezza, avistamos imediatamente aquela que era uma das maiores joias do museu – o Alfa Romeo C52 Disco Volante. Mas nesta zona há muitos outros carros excecionais – o 33/2 Coupé Speciale e o protótipo do Alfa Carabo. Ainda não estávamos a meio e já pensávamos: que museu!

A área Velocita situa-se na parte inferior do museu e está relacionada com as corridas e desportos motorizados em que a Alfa Romeo esteve envolvida. Começa com um espetáculo de luzes que imita uma pista de corridas, com alguns dos melhores automóveis de corrida do mundo bem alinhados: o Alfa 8C 2900B Speciale Tipo Le Mans, o 8C 2300 Le Mans e o Alfa RL Targa Florio.

A visita ao Museo Alfa Romeo concluiu a viagem com um mergulho profundo na história de um dos fabricantes de automóveis mais célebres de Itália, deixando uma impressão duradoura da mistura de tradição e inovação na história automóvel italiana.

Após a visita ao museu, demos um salto ao centro de Milão, passando pela Galleria Vittorio Emanuele II e pela Catedral de Milão, antes de seguirmos para o aeroporto. Regressamos satisfeitos e já a pensar na próxima desculpa para voltar a Itália.

Texto: Patrícia Brandão
Fotos: Joel Araújo