Eletrificação de veículos históricos – a posição da FIVA

Pela sua importância e actualidade, transcrevemos na íntegra a declaração emitida pela FIVA (Federação Internacional do Veículo Antigo, da qual o CPAA é o representante para Portugal) sobre a electrificação de veículos históricos.
Apesar da extensão do texto, parece-nos de todo o interesse a sua leitura.
“Um número crescente de empresas está a oferecer a conversão de veículos históricos para que os mesmos funcionem com energia eléctrica, substituindo todo o sistema de propulsão por uma unidade eléctrica e respectivas baterias.
Dessa forma, afirmam, é possível manter a clássica aparência do veículo, ao mesmo tempo que o mesmo fica de acordo com os padrões ambientais modernos. Como benefício adicional, a conversão também pode aumentar a potência e o desempenho. Algumas empresas que efectuam essa conversão obtiveram permissão das autoridades de homologação/certificação para manter o número de identificação do veículo original, apesar de substituído todo o sistema de propulsão.
A FIVA (Federação Internacional de Veículos Antigos) entende a motivação de alguns proprietários para electrificar os seus veículos – e reconhece que, sujeitas à legislação e regulamentação, todas as modificações são uma questão de escolha pessoal.
No entanto, a FIVA – como uma organização dedicada à preservação, protecção e promoção de veículos históricos – não pode promover, junto de proprietários ou reguladores, o uso de componentes modernos de veículos eléctricos (motores e baterias) para substituir o motor e a fonte de energia de um veículo histórico.
A conversão de veículos históricos, dos seus originais motores de combustão interna para os alimentados a energia eléctrica não está de acordo com a definição da FIVA de veículo histórico, nem dá corpo ao objectivo de preservar veículos históricos e a cultura com eles relacionada. Na visão da FIVA, os veículos convertidos deixam de ser veículos históricos, a menos que estejam sujeitos apenas a alterações contemporâneas ao seu fabrico.
De acordo com a FIVA, um veículo histórico é “um veículo rodoviário de propulsão mecânica” que simultaneamente tenha as seguintes características:
– mais de 30 anos
– preservado e mantido em condições historicamente correctas
– não ser utilizado como meio de transporte diário
– fazer parte de nossa herança técnica e cultural

Em face de todo o exposto, Tiddo Bresters, vice-presidente do comité legislação da FIVA, conclui: ‘Não é, na nossa opinião, a forma ou o estilo de um veículo que o torna ‘histórico’, mas a maneira pela qual todo o veículo foi construído e fabricado na sua forma original.
Portanto, se algum proprietário, engenheiro ou fabricante optar por fazer essas conversões tendo por base um veículo histórico, a FIVA recomenda fortemente que quaisquer alterações sejam reversíveis, com todos os componentes originais marcados e armazenados com segurança. Desta forma, o veículo pode – se assim o desejar no futuro – retornar ao seu estado original e pode novamente tornar-se um veículo histórico”.